Em articulação com o Centro Cultural Grajaú e Travas da Sul, a atividade reafirma a arte como ferramenta de enfrentamento ao estigma sobre o HIV/Aids

O Coletivo Contágio leva ao Centro Cultural Grajaú, na zona sul de São Paulo, a segunda apresentação da III Mostra Transmissão Contágio. No dia 28 de junho (domingo), a partir das 15h30, o público é convidado a participar do espetáculo Ferida$ Política$ e do bate-papo (Com)verso Positivo, mediado por Diogo Emanuel, coordenador da Travas da Sul Rede Sociocultural. A sessão é gratuita, com ingressos retirados no local uma hora antes do início da atividade.
Depois da estreia no Instituto Brasileiro de Teatro, em maio, a Mostra chega agora a um dos territórios mais populosos da capital paulista. A parceria com a Travas da Sul, rede sediada no próprio Grajaú desde 2019, reforça o caráter territorial do projeto: a iniciativa promove acolhimento, visibilidade e desenvolvimento cultural da população LGBTrans periférica, com forte atuação em arte, cultura e saúde integral, incluindo prevenção de ISTs e redução de danos.
Diogo Emanuel é produtor cultural, artista visual e agente de cuidado, com trajetória que atravessa criação, produção e transformação social. Já atuou na coordenação e execução de políticas públicas junto à Secretaria Municipal de Cultura e à Coordenadoria de IST/Aids de São Paulo, ampliando o acesso à arte e fortalecendo iniciativas comunitárias. Também atua como redutor de danos em contextos de rua, festas e celebrações, sempre pautada pela escuta e pelo respeito. Sob sua mediação, o (Com)verso Positivo repete a fórmula que já marcou a estreia da Mostra: uma conversa antes da apresentação, sobre as expectativas do público, e outra logo após, sobre a experiência do que foi assistido.
Para Ará Silva, fundador do Coletivo Contágio, coordenador e produtor executivo do projeto, articular a circulação da III Mostra na zona sul junto ao Centro Cultural Grajaú e Travas da Sul é reafirmar o propósito do coletivo de dialogar com a população de áreas que enfrentam desafios e desigualdades persistentes em relação ao cuidado e prevenção do HIV/Aids e outras ISTs. “Acreditamos na potência da arte em ressignificar as narrativas sobre HIV/Aids frente aos estigmas que ainda persistem na sociedade”, destaca.
A escolha do coletivo em circular com o projeto entre o centro, zona sul e zona leste de São Paulo vai ao encontro dos dados dos últimos boletins epidemiológicos de HIV/Aids de São Paulo, que mostram que essas são as regiões que apresentam o maior número de novas infecções do HIV (Centro) e concentram os maiores números de casos (zona sul e leste). Assim, a arte se apresenta como estratégia potente de prevenção e sensibilização, capaz de criar espaços de escuta, reverter estereótipos e conectar comunidades aos serviços de saúde.
Desde 2019, o Coletivo Contágio atua nesse campo, com residências e mostras que transformam narrativas individuais em obras coletivas, criando um arquivo vivo de resistência cultural e política. O diretor Canafístula destaca que “Ferida$ Política$ reúne diferentes camadas das experiências de seus artistas e oferece ao público um olhar atento e sensível sobre a epidemia de Aids. Por meio da arte, a obra contribui para ressignificar as narrativas sociais sobre a epidemia no Brasil e na América Latina”.
O trabalho do Coletivo Contágio já repercute além dos palcos. Em texto publicado pelo canal M.Arte, o jornalista Marcelo Fava destaca que o Brasil foi pioneiro ao garantir, em 1996, o acesso gratuito ao tratamento do HIV por meio de lei federal, tornando-se referência para poucos países que adotaram medida semelhante. Segundo ele, muitas pessoas ainda enxergam a epidemia como um problema distante de suas realidades. Fava avalia que, embora as políticas públicas do Sistema Único de Saúde (SUS) sejam pioneiras e fundamentais para a população brasileira, o debate sobre HIV e Aids ainda não está presente nas escolas com a mesma intensidade. Nesse contexto, a cultura ocupa um papel importante. Ao colocar pessoas que vivem com HIV no centro da cena e promover o diálogo direto com o público, o Coletivo Contágio contribui para ampliar discussões que, segundo o jornalista, ainda encontram pouco espaço nos currículos escolares e nos espaços culturais.
SERVIÇO
28 de junho de 2025 (domingo) – Centro Cultural Grajaú
15h30 – (Com)verso Positivo, parte 1
16h00 – Espetáculo Ferida$ Política$
Em seguida – (Com)verso Positivo, parte 2
Endereço: Rua Professor Oscar Barreto Filho, 252, Parque América – São Paulo/SP
Ingressos: Gratuitos – retirada no local, uma hora antes do início
Mediação do bate papo: Diogo Emanuel, da Travas da Sul Rede Sociocultural
FICHA TÉCNICA
Direção: Benedito Canafístula | Coord. Geral e Prod. Executiva: Ará Silva | Produção: Humano Cultura e Arte / Somar Produções | Coord. de Produção: Flávio Rodrigues | Gestão Financeira: Andressa Nascimento | Figurino: Nahuel Vera | Elenco: Warley Noua, Eder Asa, Ayê Sampaio, Dan Salas, Guira, Nahuel Vera e Formigão | Luz: Morim Lobato | Som: Fael Mares | Design e ID Visual: Nathê Miranda | Fotos: Lucas Gonzaga | Filmmaker: Fel Lara | Realização: Coletivo Contágio | Apoio: Coordenadoria de IST/Aids de São Paulo
CONTATO PARA IMPRENSA
Ará Silva – Jornalista, Coordenador e Produtor Executivo | DRT: 0096546/SP
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